01/10/2008
A INTERFERÊNCIA DA SAÚDE BUCAL NAS DOENÇAS CARDÍACAS
Trabalhos recentes, divulgados por jornais e sociedades de cardiologia em todo o mundo, sugerem uma relação entre as infecções dentárias e as doenças cardiovasculares. Qualquer descuido na saúde bucal é capaz de provocar sérios problemas no coração, que são de difícil tratamento e, em alguns casos, levam à morte.
Complicações nas gengivas, por exemplo, podem estar associadas ao aumento nas chances de problemas cardíacos, sendo tema de diversas pesquisas. Em geral, os dados indicam que a gengivite crônica pode contribuir para o surgimento de doenças cardiovasculares. “É uma infecção bacteriana que permite às bactérias entrar na corrente sanguínea e aderir aos depósitos de gordura existente nos vasos do coração, causando coágulos”, esclarece o mestre em Odontologia, Dr. Fernando Hespanhol.
A preocupação do dentista enquanto agente de saúde é ainda maior entre os cardíacos que se submetem a um tratamento odontológico. Como foi discutido na matéria “A importância da anamnese odontológica”, questionar o histórico médico enriquece o cirurgião-dentista de informações sobre os pacientes. “Em alguns casos, o parecer de um médico cardiologista é necessário para a realização de determinado procedimento”, acrescenta Hespanhol. Com este conhecimento prévio, várias medidas podem ser adotadas, como: a profilaxia antibiótica, a suspensão de medicação anticoagulante, o controle da pressão arterial, dentre outros.
Entre os cardíacos, a possibilidade de se desenvolver uma endocardite bacteriana é muito grande. A doença é um processo infeccioso nas válvulas do coração ocasionado pela presença de bactérias na corrente sanguínea, que se alojam no endocárdio, a membrana que reveste internamente o órgão. Segundo o Dr. Fernando Hespanhol, qualquer sangramento pode provocar a entrada das bactérias na circulação. Exodontia, raspagem radicular, implante dental, cirurgias ortognáticas, instrumentação endodôntica, apicectomia, colocação de banda ortodôntica, anestesia interligamentar e profilaxia com jato de bicarbonato onde haja sangramento são procedimentos que podem levar a uma endocardite.
Para diminuir os riscos, o paciente cardíaco deve tomar antibióticos previamente antes de iniciar qualquer tratamento. A Sociedade Americana de Saúde (AHA) recomenda aos cirurgiões-dentistas regimes profiláticos, tendo como medicamento base a Amoxicilina 2g para os adultos, ingerida até uma hora antes do procedimento e a Amoxicilina 50mg por Kg para crianças, no mesmo intervalo de tempo. Nos casos de alérgicos às penicilinas o clindamicina 600mg é indicado para os adultos e a clindamicina 20mg por Kg para crianças. Nos dois casos, a medicação também é ingerida até uma hora antes de qualquer intervenção.
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