Dor e Odontologia não combinam
Sergio Luiz Mota Junior, 7º período de Odontologia UFJF
Muitos avanços ocorreram e continuam ocorrendo na odontologia. Dentre eles, pode-se destacar o avançado estudo e uso dos anestésicos. É possível que o Cirurgião-Dentista execute a grande maioria dos tratamentos sem que exista dor ou desconforto ao paciente. Esta impercepção à dor é possível com a utilização adequada da técnica anestésica. Pelo fato de muitas pessoas terem medo de injeção, técnicas podem ser utilizadas para que este procedimento torne-se indolor. O uso de anestésico tópico ou uma pressão no local de punção, por exemplo, podem ser úteis. A pressão e dor são confundidos pelo paciente e a sensação de dor pela injeção acaba não ocorrendo.
Utiliza-se a anestesia em procedimentos em que, possivelmente, o paciente se queixará de dor; seja na cirurgia, dentística, periodontia, endodontia, etc. Para uma escolha adequada do anestésico deve-se primeiro levar em consideração a condição do paciente, que, através da anamnese, relatará se apresenta hepatite (evitar uso de anestésico à base de amida), se é cardiopata (evitar uso de anestésico associado a vasoconstritor), diabético, se apresenta alergia a determinados compostos, podendo interferir na escolha adequada do anestésico para aquele paciente específico. Outra condição para que se escolha o anestésico adequado é o procedimento que vai ser realizado, no qual deve-se levar em conta: o tempo de trabalho (para a escolha de um anestésico com maior ou menor tempo de duração), o local da punção (não usar vasoconstritor forte na mucosa palatina) e a extensão do procedimento.
A associação entre condições do paciente e procedimento levará à escolha adequada para tal situação. A escolha final sempre deve ser feita por um anestésico de boa qualidade, que seja bem lacrado evitando contaminação e oxidação do produto. Deve-se observar pequenas bolhas de nitrogênio (aproximadamente 2mm de diâmetro) no interior do conteúdo, indicando estar bem vedado e próprio para uso. Não deve-se armazenar o anestésico em locais quentes ou frios (geladeiras) pois esta alteração de temperatura é capaz de alterar as propriedades dos sais anestésicos. Além destas observações, deve-se certificar de que o diafragma não esteja dilatado, o êmbulo deve estar ligeiramente voltado para o interior do tubete e o conteúdo do líquido deve ser cristalino sem precipitação.
Finalizando, a prática anestésica é extremamente importante e até mesmo essencial em determinados procedimentos odontológicos. O produto, desde que usado devidamente, só tem a ajudar; seja na confiança do paciente ao Cirurgião-Dentista, seja pelo real conforto do paciente, favorecendo ao trabalho a ser realizado. Associando uma anamnese adequada com a análise individualizada do paciente e uma técnica bem praticada, pode-se escolher um anestésico para determinada situação. Com tais cuidados, dificilmente ocorrerão problemas dentro de um consultório odontológico provocado pelo anestésico.