Câncer Bucal: realidade presente
O câncer bucal é uma doença progressiva e de alta incidência na população brasileira. Segundo o Instituto Nacional de Câncer - INCA, ocupa o 5º lugar no sexo masculino e o 8º no sexo feminino, sendo que 90 a 95% dos cânceres de boca são do tipo Carcinoma Espinocelular (CEC). Inicialmente aparece como uma “ferida” (úlcera), indolor e que não cicatriza em até 14 dias. Essa lesão possui crescimento progressivo, desordenado, ulcerativa, destrutiva de bordos elevados e endurecidos, multiforme. Se detectado tardiamente pode levar a mutilações na face, deformidades que vão gerar complicações sociais, psicológicas além da possibilidade de metástase e, talvez, ao óbito.
O CEC prevalece em homens acima de 40 anos, leucodermas com seu desenvolvimento estimulado pelo uso do tabaco, consumo freqüente de bebidas alcoólicas, excessiva exposição à radiação não-ionizante (solar), dieta pobre de vitamina A, C, E, selênio e cálcio, agentes infecciosos (papiloma vírus humano, fungos), fatores ocupacionais, susceptibilidade genética, irritação mecânica (próteses mal adaptadas, dentes fraturados), idade, sexo, cor. A região da boca de maior incidência é a língua seguida do lábio inferior e assoalho bucal. Quando o fumo e o álcool estão associados, o risco de desenvolver a doença aumenta mais de 100 vezes.
Consegue-se o diagnóstico do câncer bucal através do exame clínico, biópsia incisional e exame anatomopatológico. O diagnóstico precoce é fundamental para a cura do CEC, porém difícil, pois inicialmente apresenta-se assintomático. O tratamento do câncer de boca depende de fatores como idade, sexo, situação familiar, controle dos hábitos, vícios e saúde geral do paciente, além do tipo histológico da neoplasia, o estadiamento, localização e grau da lesão, momento em que foi diagnosticado e recursos terapêuticos disponíveis para tratá-lo.
Atitudes como evitar o fumo e a ingestão de álcool, proteger-se contra os raios solares, manter uma alimentação saudável, eliminar fatores traumáticos na cavidade oral, executar o auto-exame de 6 em 6 meses e visitar o Cirurgião-Dentista periodicamente, afastar os fatores carcinogênicos, reconhecer e tratar as lesões cancerizáveis contribuem para prevenir o câncer bucal.
É necessário e imprescindível maior divulgação da importância do câncer de boca. Deve ser realizada campanhas educativas, palestras em comunidades carentes, escolas, distribuição de folhetos educativos, com o objetivo de estimular as pessoas a visitarem o cirurgião-dentista e educar o paciente a praticar o auto-exame. Deve haver formação adequada de oncologia bucal ao aluno de odontologia e atualização e reciclagem profissional na técnica do exame clínico para que esses profissionais estejam capacitados para conscientizar a população, prevenir, diagnosticar e tratar o câncer bucal.