Branco que te quero Branco - limpo e livre de sujeiras

CD.Luiz Carlos Torres Martins

O fato de que relógios, jóias ou bijuterias, assim como luvas, jalecos, bolsas, estetoscópios, termômetros, toucas e máscaras dos profissionais de saúde, representam alguns dos principais vetores de transmissão de doenças infectocontagiosas, tem sido apresentado em encontros e palestras sobre biossegurança no mundo inteiro. No entanto, falando de modo mais pragmático e apesar de despertar acaloradas discussões, pouco, muito pouco, ou quase nada tem sido feito para se reverter tal situação - perigosa para todos que convivem em sociedade, principalmente, naquelas existentes em países pobres ou em desenvolvimento, como é o caso do Brasil contemporâneo. O assunto tendo sido apresentado em reportagens em todos os segmentos da mídia, jornal, televisão e internet, através de fóruns específicos. A transmissão de moléstias, por parte dos próprios profissionais da saúde, e neste caso, a Odontologia não representa nenhuma exceção, e suas conseqüências têm sido cada vez mais desastrosa para todos nós, seres humanos, de uma maneira geral.

Isto, porque, a exemplo do que acontece no Sudeste como no resto do Brasil (nos demais países a situação não é muito diferente), podemos observar relatos do aumento do número de casos de infecções causadas por protozoários, vírus e bactérias muito resistentes, aliás, super-resistentes. Cada vez mais, o surgimento de microorganismos resistentes aos mais modernos, poderosos e caros medicamentos que a indústria farmacêutica pode colocar à disposição estão desafiando biólogos, cientistas, médicos, infectologistas e um batalhão de profissionais que estão em busca do controle, pelo menos temporário, destes organismos possuidores de alto poder de destruição em massa.

Entre estes organismos podemos citar Stafilococcus áureos Streptococcus e etc.. Este último já desenvolveu, inclusive, uma situação dramática em países como a Índia, Inglaterra e Estados Unidos, nações que já viram milhares de mortes em seres humanos causadas, principalmente pela MARSA (uma nova sepa) que está deixando pesquisadores e infectologistas do planeta à beira de uma crise de nervos. Sempre existe uma possibilidade de que tais surtos de endemias podem se espalhar, facilmente, pelo mundo, principalmente graças aos avanços dos meios de transporte de massa (qualquer cidadão pode atravessar o planeta em menos de uma semana de avião).

E são vários os exemplos mais recentes e assustadores que deixaram em alerta as autoridades sanitárias de todos os países. Nos últimos 12 meses a gripe do frango e a gripe suína, ambas causadas por vírus (esta última conhecida também como H1N1) foram responsáveis pela morte de muitos brasileiros, inclusive em municípios como Juiz de Fora, cidade média do interior de Minas Gerais. Ou seja, já não podemos mais fugir a esta triste realidade. A primeira é que estamos todos vulneráveis a tal situação; e a outra, é que nós, profissionais do setor de saúde somos, em parte, também responsáveis por alguns destes episódios que assolam o mundo. O não cumprimento de normas de biossegurança existentes para o setor, assim como o desleixo com padrões de comportamento corretos, seguros e de simples realização possibilita que nós, Cirurgiões Dentistas,Médicos, Enfermeiros, Fisioterapeutas sejamos todos, vetores de transporte de milhões e milhões de microorganismos que ficam impregnados nas golas, mangas, bolsos e punhos de nossos jalecos, quando expomos nossas indumentárias de trabalho em ambientes coletivos tais como bancos, restaurantes e , principalmente, transitando pelas ruas de nossas cidades. Mais grave ainda, profissionais que militam em vários hospitais e clínicas, “transportando” microorganismos de um local para outro. Risco maior ainda para o núcleo familiar, onde chegamos usando a mesma indumentária de trabalho. Daí o título de nosso artigo:- BRANCO QUE TE QUERO BRANCO ( limpo e livre de sujeiras...)

Este comportamento de risco, realizado também por técnicos em saúde bucal (TSB), auxiliares de saúde bucal(ASB), atendentes e funcionários administrativos de clínicas e hospitais, e porque não falar em acadêmicos e demais funcionários de nossas faculdades, escolas de aperfeiçoamento e de especialização, mestrado e doutorado, espalhados por este país, é ainda - por que não? Um dos grandes responsáveis pela transmissão de doenças infectocontagiosas, cujos tratamentos estão cada vez mais caros e de difícil solução. A maior parte destes casos evolui para o óbito do paciente. Vejam bem o que vou falar: em muitos casos, por culpa de profissionais do próprio setor de saúde, cujos propósitos, entre os quais, deveria ser justamente, o contrário - promover e agir em defesa da prevenção à saúde e do bem-estar dos seres humanos.

A utilização de banheiros públicos, seja no ambiente de trabalho, no restaurante ou em quaisquer outros ambientes deve sempre ser realizada de acordo com normas de biossegurança e higiene: Lavar bem as mãos, não deixar objetos de uso pessoal em pias e bancadas, ou em locais onde haja tráfego intenso de pessoas, pias, lavatórios e etc.; utilizar detergentes e anti-sépticos sempre que possível e necessário. A utilização de “roupas de rua” em clínicas, consultórios e faculdades não pode ser perdoada àqueles profissionais que devem estar entre os principais responsáveis pela garantia da segurança de seus pacientes e de sua própria saúde. A saída ao banco durante o expediente, um rápido descanso, um lanche, almoço ou jantar em um restaurante ou lanchonete próximos impõem a substituição do jaleco ou uniforme de trabalho por outra que irá acompanhá-lo em espaços públicos, por mais asseados que sejam estes mesmos.

Nos Estados Unidos existem leis severas para aqueles profissionais que transgridem as regras de comportamento profissional em relação às normas de biossegurança. Na Inglaterra, por exemplo, todos os profissionais da área de saúde são proibidos de utilizarem quaisquer tipos de adornos pessoais - brincos, pulseiras, relógios, anéis, colares e etc. em clínicas, hospitais e consultórios. Neste país, em 2010, as autoridades sanitárias apresentaram um novo modelo de jaleco para os profissionais - sem golas ou bolsos e de manga curtas, e também impôs multas altas em espécie para os infratores. No Brasil, o Estado do Paraná saiu na frente e faz cumprir uma lei que impede a todos os profissionais do setor de saúde de freqüentar locais que não seja o ambiente de trabalho, com uniformes e jalecos de uso restrito e específico. Por lá, as multas são bem salgadas e a reincidência é punida de modo rigoroso.

Diante da urgência de medidas punitivas e coercitivas para coibir tal comportamento de risco, faz-se necessário que os diversos setores envolvidos discutam assunto tão polêmico e que envolve a qualidade de vida de milhões de homens, mulheres, crianças, jovens e idosos. A sociedade brasileira já demonstrou, em diversas outras oportunidades, estar preparada para o diálogo democrático e maduro desta e de outras questões. Resta somente a iniciativa de promover a discussão do tema, e juntos - sociedade civil organizada, população, pesquisadores, especialistas em infectologia e saúde pública, profissionais da área e suas respectivas representatividades, assim como autoridades públicas, lançar luzes sobre o assunto e criar mecanismos que impeçam o avanço de um processo incontrolável e de futuras e prováveis situações que coloquem em risco parte significativa da população brasileira.

CD. Luiz Carlos Torres Martins
*Secretário Geral do CROMG
** Presidente da ABO-Regional Juiz de Fora

Dental Mineira 80 anos
© 2011. Todos os direitos reservados
website by Asther ProdutoraWeb
Registrado: Anvisa 9931WY674XM2
Rua Halfeld, 698
Centro
Juiz de Fora/MG
36010-003
Tel: 32 3215-8222
Fax: 32 3215-8444